Largada no altar

Largada no altar

Todos nós já ouvimos a história de alguma noiva que foi deixada no altar ou que o noivo desistiu do casamento às vésperas da celebração.

Situações como essa causam muita comoção e fofoca. Alguns argumentam que melhor assim do que passar a vergonha de se divorciar pouco tempo depois da grande festa. Outros defendem que o trauma de ser recusada perto do evento é maior do que a humilhação de contar aos convidados que a relação já estava desgastada.

O fato é que, a partir dessa surpreendente notícia, começam  especulações, como “Será que ele tem outra?”, acompanhadas de justificativas semelhantes a  “Ela o pressionou muito para se casar”.

Que fique claro, de agora em diante, noivo nenhum desiste de casar porque foi pressionado a pedir a mão de sua namorada. Apesar de ter ouvido indiretas da mulher, amigos e familiares ou mesmo estando descontente com a perspectiva do casamento, ele não pode dizer que se casaria apenas por pressão de terceiros.

Seja qual for o motivo que fez com que João pedisse Maria em casamento (sem estar seguro da decisão), esta razão diz muito mais sobre João do que sobre Maria. Isso quer dizer que, acima de tudo, ele não soube dizer não. Maior do que a pressão de Maria foi a inabilidade de João.

Por isso, é importante nos descolarmos da tendência machista de responsabilizarmos sempre a mulher por se precipitar. Não quero aqui defender tais noivas e eximir a participação delas na crise. É claro que a mulher tem sua parcela de responsabilidade pela crise do casal. Se ele não queria casar, algumas causas são possíveis: porque a relação estava ruim e ambos colaboram para tal ou simplesmente porque ainda não era o momento certo.

Entretanto, o que pretendo é apontar que, apesar da pressão (ou de qualquer outro feito da noiva), o noivo não foi assertivo e não soube se colocar. A noiva não é vítima da crise conjugal, mas sim da maneira como esta instabilidade se apresentou.


Undefined_2fhelena Helena Cardoso

Helena Cardoso é psicóloga, formada pela PUC-Rio, com especialização em Terapia Familiar Sistêmica Breve e Entrevista Motivacional. É supervisora clínica na instituição Núcleo-Pesquisas, e faz atendimentos individuais, de família e casal em seu consultório. Contribui com textos para o site Disney Babble Brasil. É também sócia fundadora do Véspera, projeto que atua no preparo emocional de noivos para a vida a dois.

helena@saladeideias.com.br

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