Laços frágeis

Laços frágeis

Todos hoje reclamam da fragilidade das relações: começam rápido e terminam na mesma velocidade. Casais parecem iniciar e finalizar a relação do dia para a noite, casamentos chegam ao fim quando ainda não acabamos de pagar as parcelas do presente. Diante disso, a pergunta que fazemos é: qual a razão da dificuldade atual de manter os laços?

O que percebo é uma incapacidade de lidar com as dificuldades. A ênfase na possibilidade da troca é sobreposta à habilidade de consertar, harmonizar a relação e, consequentemente, os relacionamentos tornam-se mais superficiais. Essa dificuldade de relacionar-se vem justamente da nossa liberdade de escolha, ou melhor, da banalização dela, que adquiriu uma proporção exagerada.

Antes tínhamos valores muito rígidos. Se a relação não estava dando certo, mesmo assim, ela era mantida, pois a separação não era permitida. O modelo predominante hoje (claro que há suas exceções!) é o avesso do padrão do passado. Não se trabalha mais no relacionamento. Não quero dizer que estar em uma relação infeliz seja o correto, especialmente, quando há pressão social para mantê-la. Mas a falta de perseverança diante dos obstáculos é um dos motivos mais relevantes para explicar os nossos laços frágeis.

Para se manter qualquer relacionamento é necessário trabalho, esforço e a capacidade de abrir mão de algumas coisas. Atualmente, é mais evidente a nossa dificuldade de ceder pelo outro. Não desenvolvemos a empatia e, assim, vamos agindo somente de acordo com nossos próprios interesses.

O ideal é lembrar sempre que a vida é feita de altos e baixos. Nossos relacionamentos acompanharão essas curvas. Por isso, precisamos nos questionar, particularmente nos momentos mais difíceis, se romper a relação será a solução mais eficaz ou apenas a mais simples. Seguir o caminho ‘mais fácil’ é como acreditar que a vida só deve ser feita de momentos bons. Não é assim! Os momentos difíceis da vida e dos relacionamentos também têm seus ganhos e aprendizados. Eles podem até ajudar a fortalecer a união do casal, depois que a tempestade passar.

 


Undefined_2fimg_8688 Fabiane Gori Curvo

Psicóloga, formada pela PUC-Rio. Especializada em Terapia Cognitivo Comportamental e pós-graduanda em Psicologia Positiva. Tem experiência na área de Terapia Dialética Comportamental, que ajuda na redução do estresse e na regulação emocional. Seu foco é no atendimento clínico individual e em grupos terapêuticos que realiza em seu consultório na cidade do Rio de Janeiro.

fabiane@saladeideias.com.br

Escreva para a gente

Icontalk POR AQUI